Homossexuais, Fatos Científicos da Bíblia e os Bandidos

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O dia em que Marília Gabriela destruiu Silas Malafaia. Essa data histórica é datada do dia 3 de Fevereiro de 2013. Numa entrevista flamejante, a jornalista abordou diversos assuntos polêmicos com o Pastor, entre elas, é claro, o tópico da homossexualidade foi o mais discutido durante os 45 minutos de duração da entrevista. E em todos os contra-argumentos usados por Gabriela ela pareceu mais apta a falar do assunto do que o Pastor.

Em primeiro lugar é importante que nós nos lembremos os motivos pelos quais lutamos e nos dispomos a entrar em discussões com pessoas “tão bem esclarecidas” como o senhor Silas Malafaia. É simples: uma série de direitos, os quais todos desembocam em apenas uma coisa: respeito. Em resumo, o que se busca nas lutas homossexuais é o respeito. Seja por qual caminho isso ocorra, a desconstrução, a afirmação. Não importa, qualquer ser vivo no mundo, pelo menos na minha opinião, é digno de respeito. Merece ter seus direitos cumpridos.

Em entrevista alguns embates ocorreram entre o pastor e a jornalista, dentre esses uma série de gafes proferidas por Malafaia e claramente captadas por Gabriela. A primeira gafe ocorre quando o pastor diz que a teoria da evolução não tem validade alguma, pois não pode ser provada por observações. Gostaria de lembrar ao queridíssimo que as teorias científicas, na maior parte das vezes, quando são teorias chamadas de indução são criadas a partir de uma série de observações que desembocam numa teoria geral. Por exemplo: observou-se dois milhões de cisnes, todos eram brancos, logo, todos os cisnes são brancos. Claro, essa teoria pode ser imediatamente quebrada se for observado um cisne negro. Nenhuma teoria científica é absoluta, mas elas geralmente são formadas a partir de observações.

Falando em teorias científicas, Silas ainda nos presenteou com a maior pérola já usada na televisão brasileira de que nenhum dos fatos científicos da Bíblia foram provados contrários até hoje. A Arca de Noé onde foi posto um casal de cada animal realmente manda lembranças, Cristo andando sob as águas e Moisés separando o Mar também morrem de saudades do Pastor Malafaia. A literatura cristã escreve seus valores morais nesse livro conhecido como Bíblia em forma de contos. Acreditar ou não no que está escrito ali vai da fé da pessoa em questão. Fé não é fato científico. Fé não pode ser provada, nem por observações, nem por estudos. Eu gostaria de debater a veracidade de tais acontecimentos bíblicos com Malafaia, falaríamos também sobre a Guerra do Anel e como o Capitão América lutou contra os Nazistas durante a Segunda Guerra Mundial após ter sido geneticamente transformado, e como não poderia deixar de ser, falaremos sobre os problemas políticos da União das Galáxias de Star Wars também e como anda a expansão de sua Igreja por aquelas bandas. Outro assunto que não poderia deixar de ser discutido é se nós trouxas devemos ou não aceitar os bruxos em sua emancipação. Em suma, apenas assuntos épicos.

O Parentesco Homossexual também foi tratado na entrevista. De acordo com Malafaia não é possível que um casal de pessoas do mesmo sexo crie uma criança e ela acabe se saindo normal. Claro, não podemos esquecer nos 46% de homossexuais que só são gays por terem sido violentados na infância. Traumas freudianos, já que além de Pastor, Silas Malafaia é formado em Psicologia. Acho Freud magnífico, mas Foucault ainda mais magnífico. O resto dessa porcentagem apenas escolheu o caminho da homossexualidade, e de quebra o do sofrimento, do preconceito, da violência, do bullying na escola e de tantas outras formas de ódio ao que é diferente. É melhor que os cientistas desistam logo de tentar explicar os motivos pelos quais a homossexualidade ocorre em diversas outras espécies de animais e nenhuma delas tem causado um alvoroço tão grande em cima disso durante toda a sua história. Ah, claro, são animais, e de acordo com a Bíblia eles não tem alma, mesmo. Pra que estudá-los? Pra que conhecê-los? Pra que nos preocuparíamos com eles? Isso não faz sentido nenhum. Claro, para o Pastor a Igreja e todo o poder de Deus (com a ajuda do dízimo), são capazes de curar os homossexuais e colocá-los de volta no caminho certo e bom. Viva aos fatos científicos da Bíblia!

Por fim, depois de toda a sua expressão e a indignação de Marília Gabriela durante todo o programa, Malafaia completa sua entrevista atestando o óbvio que ele ama os homossexuais tal como ele ama os assassinos. É amor de mais pra gente não se emocionar, não é verdade? Durante toda a entrevista ele pareceu querer provar alguma coisa ao mundo e, se estamos argumentados com fatos científicos como o pastor, se é verdade que quem não deve, não teme, o senhor me parece estar bem encrencado.

A verdade é que o esclarecimento tem muitas barreiras e muitas formas, e Malafaia não deixa de ser uma pessoa esclarecida. Ele o é. Esclarecido numa série de valores morais que não são revistos há 2013 anos, onde a sociedade era completamente diferente. Além de todo o problema da interpretação. Talvez uns anos de terapia fizessem bem ao pastor e a todos os seus fiéis que acreditam na torneirinha de asneiras constantemente aberta. Emília, a boneca de pano, tem um grande oponente.

Pra quem quiser assistir a entrevista completa onde outros assuntos como a fortuna do Pastor e o que ele acha sobre Religião e Política são abordados, segue o vídeo:

A ‘cura’ dos homossexuais de volta à cena?

Hoje foi um dia babado e confusão complicado na Câmara dos Deputados. A audiência da Comissão de Seguridade Social e Família passou a tarde dessa terça-feira debatendo o projeto de lei, do deputado João Campos (PSDB), que visa suspender a resolução do Conselho Federal de Psicologia que, desde 1999 na resolução 1/99, impede os psicólogos do país de exercerem terapias visando re-orientar a sexualidade do paciente, ou seja, livra-lo de “desvios” sexuais dos mais diversos, e sobretudo da homossexualidade, da bissexualidade e da transexualidade.  O argumento do tucano João Campos, apoiado pela tumultuada bancada evangélica uma vez que o mesmo é pastor, é de que a resolução 1/99 do Conselho Federal de Psicologia restringe e fere a autonomia dos psicólogos e também dos pacientes, insatisfeitos com suas sexualidades. Argumenta que, uma vez que, o paciente sofre por ter esse desvio sexual e não se conforma com ele e decide buscar ajuda, o Conselho Federal de Psicologia não pode proibir os profissionais qualificados para tal tarefa de executá-la.

Ainda de acordo com João Campos, a medida contraria princípios como o da razoabilidade e do livre arbítrio do cidadão de procurar o profissional e o método de tratamento que melhor lhe aprouver. O deputado afirma que a intenção do decreto legislativo não é anular os dispositivos da resolução do Conselho de Psicologia, mas apenas suspender a aplicação deles, “até que o problema seja resolvido no âmbito do Judiciário e este adote uma resolução para constitucionalizar a questão”. Ele alega que os dispositivos “inovam a ordem jurídica ilegitimamente, pois criam obrigações e veda direitos inexistentes na lei aos profissionais de psicologia, em detrimento dos direitos dos cidadãos, ofendendo os princípios constitucionais da separação dos poderes, da legalidade e da liberdade de expressão”.

João Campos

Ao mesmo tempo formou-se uma ampla articulação dentro da bancada evangélica em apoio ao projeto de João Campos, inclusive com a participação do já conhecidíssimo pastor Silas Malafaia, famoso por suas declarações surreais contrárias a militância gay e aos movimentos de minoria.

A partir daí o circo estava armado! De uma lado os deputados defensores do projeto de João Campos, formados em sua maioria por deputados ligados diretamente as igrejas evangélicas, e de outro o deputado Jean Wyllys (PSOL), apoiado por integrantes militantes do movimento LGBT que participaram como público do sessão. Atacando, até mesmo ofensivamente, tanto os homossexuais quanto os psicólogos presentes, que se recusavam a apoiar o projeto, Silas Malafaia chegou a se proclamar “psicólogo de formação” e a afirmar que “todo paciente adulto com saúde mental tem direito de decidir sobre seu próprio corpo” e que a resolução do Conselho de Psicologia deveria ser “jogada no lixo”. Os insultos vindos do senso comum mais heteronormativo, sedimentado na sociedade brasileira, não pararam por aí: a psicóloga Marisa Lobo Alves defendeu mudanças na resolução para que as pessoas possam “receber ajuda quando a procurarem”. A psicóloga defende a idéia, já ultrapassada nos estudos intelectuais sérios sobre gênero, de existem, sim, ex-homossexuais e que a sexualidade humana é ditada na primeira infância (como defendida no início por Freud na década de 1940). Dentre as causas que levam alguém a pensar que é homossexual sem ser, a psicóloga afirmou estar o abuso na infância. “Ele pode ter comportamento semelhante até mesmo ao de travesti como forma de defesa ou de compensar marcas decorrentes”, afirmou.

Jean Wyllys

No meio do bafafá e da gritaria debate Jean Wyllys rebateu chamando a atenção para o fato de João Campos ser delegado de polícia e pastor, além de presidente da Frente Parlamentar Evangélica, cuja principal atividade no Congresso tem sido boicotar projetos de interesse de grupos feministas e homossexuais. Abriu assim a pergunta que todos gostaríamos de ver respondida: qual o interesse de um pastor e delegado em ter o poder de se usar da psicologia para curar homossexuais?! Além disso, se valendo de uma retórica contida e sem sensacionalismos, Jean Wyllys lembrou os parlamentares reunidos do quão rasteiro e carente de aprofundamento teórico-metodológico é a proposta de João Campos, que se coloca inclusive contra o debate científico-social internacional sobre a homossexualidade, que não é considerada doença pela Organização Mundial de Saúde há mais de duas décadas. Expôs assim de forma sucinta a indignação dos homossexuais ao se depararem com tais palavras ofensivas.

Resultado: Depois de muito escândalo, gritaria, ofensas e confusão  debater, o projeto será examinado pelas comissões de Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça e de Cidadania e votado pelo Plenário em breve, sem ter se decidido sequer uma data. 

O que se conclui disso tudo é que o efeito da Bancada Evangélica em se criar uma grande tensão na vida social e política brasileira é muito grande, porém ao se observar o grau real de relevância política nos rumos do país, no que confere aos movimentos de minoria como o LGBT, percebe-se que ela falha miseravelmente. O fato é que a Bancada Evangélica, (assim como os conservadores ainda presos a sistemas normatizantes das relações de gênero e sexualidade sociedade brasileira, como a Revista VEJA), está nadando contra o fluxo da História. O Movimento LGBT é considerada a última grande luta das minorias sociais e não é a toa. Se analisarmos o Movimento pelos Direitos Sociais dos Negros, nas décadas de 1950 e 1960, ou o Movimento Feminista, da década de 1960 até os anos 1980, pode-se perceber que todo ganho real é seguido de um aumento da expressão do conservadorismo, por vezes até mesmo de forma violência que chega a alcançar índices alarmantes. Mas apesar de todo essa problemática, os ganhos reais do Movimento LGBT no Brasil na última década são impressionantes. Se no início dos anos 2000 ainda vivíamos sob a mácula reacionária de bodes-expiatórios da AIDS, agora um número cada vez maior de jovens podem se assumir de forma menos complicada do que era a alguns anos atrás. A homofobia foi criminalizada, talvez não da forma que gostaríamos, mas um primeiro passo já foi dado nesse sentido… Eu e meu namorado podemos nos casar agora, e seremos reconhecidos pelo Estado!!

A luta pela mobilização da causa LGBT é constante e, apesar dos inúmeros problemas internos que vivemos, nunca antes estivemos tão fortes. Nosso momento de luta por uma sociedade mais justa e igualitária é agora! E não é nenhum grupo político estamental e religioso, ou um senso comum machista e heteronormativo que irá nos impedir de alcançarmos isso!

Malafaia & Serra

O Pastor Silas Malafaia não precisa de apresentações, não é mesmo? Há dois dias atrás, o maior defensor dos direitos gays do Brasil senhor Malafaia declarou seu apoio nas eleições para Prefeito de São Paulo ao candidato Tucano José Serra. Contra o Kit-Gay nas escolas? Vote Serra! Foi a conclusão de sua fala. Pois bem, o que o candidato disse a esse respeito? O seguinte:

“Eu não assumi nenhum compromisso com o pastor Malafaia. Ele não pediu nada em troca. As várias questões que ele coloca não são parte da campanha. Ele quis me apoiar, eu aceito

Tudo certo até a última frase. Então, Serra, se o Hitler (porque estamos chegando lá de novo) quiser te apoiar, as ideias dele não farão parte da sua campanha, mas se ele quer te apoiar, tudo bem, você aceita? Ah, entendi. Quando se aceita algo, indiretamente, isso quer dizer que se consente ou que se assume que não há o que se fazer quanto a questão. Considerando que o candidato do PSDB poderia ter nos poupado de dizer que aceita o apoio de Malafaia, então nós podemos concluir que ele não se opõe às ideias de Malafaia. Vale lembrar que o partido tucano tem uma divisão chamada Diversidade Tucana, que aparentemente é esquecida em todas as eleições.

Cuidado, você também está na mira.

Chupa que é de uva, Senhor!

Os picolés de vinho tinto criados pelo artista chileno Sebastian Errazuriz foram servidos na abertura de sua mais recente exposição, na galeria R’Pure, em Nova York.

Eles foram inadvertidamente abençoados por um padre, quando estavam escondidos em um cooler, e são um comentário do artista sobre a relação entre extremismo religioso e alguns banhos de sangue durante a história:

“Nos últimos anos a América parece ter sofrido uma regressão histórica, se tornando mais extremista, política e religiosamente, que em décadas anteriores. Os grupos religiosos fanáticos de hoje, embora sejam considerados potencialmente perigosos, são minimizados pelo foco nos fundamentalistas do Oriente Médio. Enquanto lutamos a guerra ao terror, esquecemos que há apenas algumas décadas, grupos como a Ku Klux Klan eram uma força política funcional e dominante na sociedade. A Klan, assim como muitos outros extremistas, se identificava como uma organização cristã, levando a ‘Palavra de Deus’, brandindo uma cruz flamejante como símbolo durante seu reino de terror. Hoje, a Klan já não existe mais; mas ainda assim há grupos de extremistas religiosos e políticos que mantém uma perigosa e crescente influência, exigindo que políticos professem publicamente a sua fé em Deus e apóiem leis que defendam a ideologia da Bíblia por cima da liberdade individual.”

Agora vocês imaginem o SU-CES-SO que o sorvetinho não teria feito na Marcha Contra os Homossexuais Para Jesus do Malafaia?