Vamos começar com uma definição da Wikipédia, só para fins de esclarecimento:
Um Estado secular ou estado laico é um conceito do secularismo onde o Estado é oficialmente neutro em relação às questões religiosas, não apoiando nem se opondo a nenhuma religião. Um estado secular trata todos seus cidadãos igualmente independentes de sua escolha religiosa e não deve dar preferência a indivíduos de certa religião.
Mas, infelizmente, não é o que acontece no nosso país. Com uma das maiores populações cristãs do mundo, o Brasil é palco de uma vergonhosa batalha ideológica na esfera política, com setores conservadores lutando para afundar o país numa nova idade média. Aí vocês podem dizer que se eu quero que homossexuais tenham representatividade política, tenho que aceitar que religiosos também a tenham. Na verdade, não tenho não, por que religião é algo que não deveria caber ao estado e homossexualidade não. Mas o certo MESMO é que ninguém precisasse desse tipo de representatividade, pois um estado justo e NEUTRO legislaria para a população de acordo com suas necessidades, e não de acordo com os interesses de grupos. Aí vão me perguntar sobre os interesses dos homossexuais… Mas a luta homossexual só existe por que a vendeta religiosa quer caçar qualquer direito que tenhamos. Se eles fossem respeitados, não existiria necessidade desse post ou de militância gay.
Enfim, a última é que parlamentares evangélicos estão implicando com as campanhas de prevenção para o Carnaval. Os envolvidos são velhos conhecidos: Magno Malta dizendo que campanhas anteriores estimulavam relações homossexuais, Anthony Garotinho dizendo que homossexuais são privilegiados (onde? No que?), mostrando preocupação com as discussões quanto à lei da Homofobia.
Que essas pessoas continuem seu terrorismo ideológico, clamando que a família como instituição está em ruínas, é um problema delas. Mas tentar impor ao resto do país que enfie a cabeça na areia e ignore simples questões sociais, é simplesmente burrice. E contraditório. Como eu já disse aqui antes, lamentavelmente, os conceitos por trás de costumes, crenças e regras presentes na Bíblia são derivados do machismo, foram criados milênios atrás, por um povo distante e desinformado, que por isso mesmo tinha motivos e desculpa para acreditar que tais práticas fossem o melhor para eles. No Brasil de 2011, não.
A reinvidicação de que a campanha estimule a abstinência e a procriação como forma de prevenção é estúpida e eleitoreira. Estúpida por que os conceitos machistas que formaram a opinião pública no Brasil pregam justamente a promiscuidade, especialmente nos 3 dias de pecado liberado do Carnaval. Eleitoreira por que é mais uma propaganda dos seus ideais, visando agradar uma parcela grande e votante da população. E com dinheiro público. Querem usar o dinheiro público para promover ideiais religiosos!
Mas tio Fab, você não está privilegiando campanhas pró-homossexuais e libertinagem? Não. Uma campanha de saúde deve ser eficiente. Se as pessoas vão usar o Carnaval para transar com todo mundo é problema delas, sejam gays ou não. A campanha tem que se preocupar com conscientização sobre doenças e formas de prevenção. Não em tentar fazer as pessoas mudarem seu comportamento. E por que não, alguém diria… por que isso sim é papel de religiões. De quem doutrina. Cabe às religiões dizerem aos seus fiéis o que esperam deles, e caberá a eles seguirem tais recomendações. Por isso que uma campanha de prevenção direcionada às famílias é inútil. Teoricamente, essas pessoas já estão se protegendo por suas escolhas santas.
O que esse povo quer, como sempre, é vender sua filosofia para o máximo de pessoas possível. É “infectar” mais e mais células de pessoas, seguindo com seu comportamento virótico de se espalhar pela população para conseguir sobreviver. E é muito triste que no nosso estado laico o governo tenha que ficar agradando a essa gente…