De todos os títulos da DC, Earth 2 ainda segue apresentando alguns personagens que andam sumidos desde o reboot que ocorreu há pouco mais de um ano.
No primeiro arco conhecemos o jovem Jay Garrick, o assumido (e rycah!) Alan Scott e a destemida Kendra Saunders, tornando o Flash, LanternaVerde e Mulher-Gavião na trindade desta Terra paralela que sobreviveu ao ataque de Darkseid a custa das vidas de alguns heróis.
Atualmente está rolando o arco do Sr. Destino que culminará no retorno do personagem na edição de abril que traz mais uma revelação na capa, confira!
A Fúria, filha da Mulher-Maravilha, está na capa juntamente com o Sr. Milagre. A primeira foi criada por Steppenwolf após a morte de sua mãe na batalha contra o governante de Apokolips, enquanto que o segundo originariamente pertencia aos Novos Deuses.
É impossível não empolgar com a liberdade criativa que o título promove, uma vez que vários personagens não apareceram após o reboot e os Novos Deuses andam sumidos desde Crise Infinita. A pergunta que fica no ar é se o Sr. Milagre está na Terra 2, como Orion está na Terra 1 nas páginas do título da Mulher-Maravilha? Um crossover entre as duas Terras se aproxima? Nos resta aguardar para ver.
Todo mundo sempre se perguntou se um dia o Superman terminaria namorando a Mulher Maravilha. Os dois são os heróis mais poderosos da Terra, representanes do ideal máximo de cada gênero, sempre pareceram o casal ideal. De repente, em caso da Lois Lane, em sua humanidade lamentável, morresse e deixasse o viúvo mais gostoso do mundo à disposição. Mas nem foi preciso que isso acontecesse nesse novo “arco” narrativo…
Tal hipótese já tinha sido explorada, no arco de histórias “O Reino do Amanhã”, onde vemos os heróis mais velhos. Como Clark e Diana demoram muito mais do que nós para envelhecer, é lógico que um dia o Superman ficaria viúvo, e no fim, acabaria se consolando com a amiga maravilhosa. Ora, é até meio ridículo fazer a amazona esperar a vida inteira, como se fosse um prêmio de consolação, mas até pela dificuldade em achar um parceiro à sua altura, a hipótese é bastante aceitável. Mas esse era um possível futuro. No “presente eterno” dos quadrinhos, há anos que o Superman é um homem casado e a Mulher Maravilha é solteira. Só que agora o universo DC está sendo reformulado (AGAIN), e foi anunciado que o novo status quo terá os dois como um par, num relacionamento que afetará todos os personagens da casa. Como sabemos, é tudo marketing. A editora está testando diversas mudanças, pra ver o que cola e como lucrar com os produtos, especialmente na condução de projetos cinematográficos. A ordem é que os títulos devem dar lucro, e mudanças em personagens tão clássicos sempre geram burburinho, promoção e aumento nas vendas. Mas o problema é como essas experiências afetam a qualidade do produto vendido, e no caso desse relacionamento, não há como ser uma mudança positiva.
O Superman sempre representou o ápice do ideal americano que tanto luta pra proteger. Até pela criação caipira, ele é caretão mesmo, um bom moço. Portanto, é bastante lógico que seja um homem casado. E ainda que a Lois não seja uma pobre mocinha burra, é humana. É infinitamente inferior a ele, precisa de proteção, como todos nós. Por isso que é um relacionamento tão clássico e tão apropriado para o personagem. Na nova fase, ele é mais jovem e solteiro, o que é desnecessário, embora não seja de todo ruim.
Já no caso da Mulher Maravilha, o prejuízo é muito maior. Os heróis da DC sempre foram mais distantes que os da Marvel, sempre foram semi-deuses. Pra muitos, isso é justamente o que atrai neles, e nenhum é tão divino quanto a princesa amazona, com sua origem mitológica e poderes olímpicos. Só que além disso, a Mulher Maravilha é um ícone feminista, e dos mais significativos. Ela é a única heróina com status de ícone pop, e desde sua criação nos anos 40, já colocava em questão o papel da mulher na nova sociedade que se formava após a Segunda Guerra. Durante anos, seu par foi Steve Trevor, que contribuía para o debate sempre que precisava ser salvo pela namorada, ou quando ela tinha que manipular as situações para preservar-lhe o ego. Numa indústria machista como a dos quadrinhos, essa possibilidade de “feminilização” do homem, ao se relacionar com uma mulher tão superior, sempre foi uma das questões mais interessantes da personagem.
Um possível relacionamento com Batman já foi levantado (especialmente no desenho animado da Liga da Justiça), mas mesmo o sombrio Bruce Wayne teria esse problema da mortalidade. De certa forma, só o Superman é um consorte digno para Diana. Mas oficializar isso a coloca finalmente no papel de mulherzinha, sem qualquer questionamento quanto aos papéis dos sexos. E uma das coisas mais femininas que existe, que é o segredo tácito de que são as mulheres que sempre mandam, mesmo quando fingem que são os homens, se perderá.
O fotógrafo Philip Boneau retrata na sua exposição “Heroes and Villains” os personagens da DC Comics de várias formas, mas principalmente com uma visão homoerótica. Ele indica através de sua obra alguns casos da dualidade gay que às vezes se apresenta ou representa os personagens DC, como é o caso de Batman e Robin. Vejam algumas fotos:
E com essa indignação, a pequena Riley ficou mais pra heroína do que qualquer donzela em apuros!
O vídeo foi originalmente postado no Youtube em Maio do ano passado, mas só agora ganhou o mundo, enquanto mais e mais pessoas se admiraram com a sagacidade da menina. É evidente que nem todos curtiram, por que qualquer expressão de pensamento liberal é sempre combatida, ainda mais quando se trata de uma criança… Aí teve gente dizendo que o texto foi decorado, que essa era mais uma propaganda gay insidiosa, e até os “bonzinhos” se lamentando pelo sofrimento pelo qual a menina vai passar… Ãh?
É evidente que o vídeo seria rapidamente adotado pela comunidade gay. Eu, que sempre fui um “menino que gostava de princesas”, não sabia se ria ou se chorava com ela, exultando em felicidade e esperança por saber que ela nunca vai passar por constrangimentos (até interiores) que eu passei, e vendo com meus próprios olhos que o futuro pode ser melhor.
Mas ao contrário do que poderia pregar o delírio de “ditadura gay”, o questionamento da menina é significativo para a sociedade como um todo, e para uma luta muito mais antiga que a homossexual. Ele vai de encontro a algo muito mais nocivo, que é a heteronormatividade. Vejam, eu não sou contra a distinção de gêneros. Todo mundo deve ser livre para ser tão “feminino” ou “masculino” quanto desejar, mas infelizmente o machismo faz parte da construção da masculinidade, que é essa coisa frágil defendida de forma tão ferrenha como base da nossa sociedade.
Não vou entrar na discussão sobre ela e seus construtos, por que isso é um papo longo que merece muito mais atenção. Mas falando da parte ruim, que é o machismo, fica a leveza do vídeo mesmo. Muitas mulheres são heroínas. Não quero ser muito brega, mas aquela mãe solteira que enfrenta tudo pelos filhos, a mulher agredida que resolve dar um basta, a trabalhadora que aguenta a desigualdade com esperança de que um dia isso vai mudar… todas heroínas.Como a pequena Riley.
Então nem faz sentido que só os meninos possam ter ícones de bravura para se espelhar. Mas sorria, Riley. Assim como você, há pessoas lutando para entender o mundo e um dia fazer dele algo melhor, mais justo. E até que a gente consiga, sempre há um outro meio de celebrar as diferenças…