Holy Motors: metalinguagem e análise social

Esse texto é pra você que viu o filme e que achou o filme não tem nada a dizer ou a acrescentar…

Como vocês bem sabem, a nossa equipe foi conferir a deusa Kylie estreia do novo longa do diretor francês Leos Carax no Festival do Rio. E como as circunstâncias fizeram com que eu visse o filme duas vezes no mesmo dia (e de graça) vou tentar falar sobre essa obra tão plural. E já adianto que se você vier com o argumento de que achou chato, responderei apenas que, para citar uma fala do filme: “A beleza está nos olhos de quem vê”. E se você teme spoilers, digo que não pretendo explicar nada, só apontar algumas das minhas impressões durante a experiência.

Segundo o diretor, apesar da impressão de muitos espectadores, disse que esse não é um “filme de cinéfilo”. Até entendo que ele traz muitos outros questionamentos, mas é difícil não perceber referências ao cinema surrealista de Buñuel e David Lynch, por exemplo. Isso sem falar da impressão que se tem de que o diretor usa quase todas as facetas do cinema: musical, perseguição, gore, drama familiar, animação, ficção científica… Enfim, não é somente possível  ver diálogo apenas com trabalhos de outros cineastas e diversos gêneros, mas também com a obra do próprio Leos.

Sendo o filme carregado de referênciais, intencionais ou não, fiquei espantando quando percebi comentários de outros espectadores dizendo que o filme era chato e não dizia nada, que era “apenas pra sentir/experienciar a película”. Como assim?! Não existe produto cultural que escape à realidade do produtor, por mais “ficcional” que possa ser! Esta “análise” mesmo possibilitacompreender fatos da minha realidade, e as suas interpretações dela da tua.

Para tentar remediar a injustiça produzida por esse rótulo de “discurso vazio” que resolvi escrever esse post!

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