Eu tenho uma certa birra com as “coisas gays”.
A comunidade, os cabeleireiros, a Madonna… Isso não por falta de identificação – pois eu comecei a me perceber gay por essa identificação cultural mesmo – mas por que acho estranho.
Sexo todo mundo faz, mas quando se é homossexual, a sexualidade vira identidade, muitas vezes não por iniciativa própria. Heterossexuais não passam por isso, são assim e pronto, born this way.
Então temos a “comunidade gay”. Milhões de pessoas que se identificam como um grupo e que lutam por direitos, unidas simplesmente pela prática sexual. Porque sim, pode até ser que a maioria dos homens gays tenham uma diva ou bom gosto para moda, ou que grande parte das mulheres gays goste de tocar violão, os estereótipos existem por algum motivo… mas no fim, tudo se resume ao sexo. E aí o povo quer tirar onda de bicha engajada dizendo que as paradas gays não são mais um ato político, e sim uma grande pegação pública e sem sentido. Como se não transassem…
Acho isso uma bobagem. A visibilidade está naquela multidão, e o caráter de festa é natural, pois dificilmente juntaríamos tanta gente se fosse para ouvir discurso. Sexo na rua, temos aí as micaretas e o carnaval para mostrar que não é “coisa de viado”. Deixemos a política para os primeiros carros e os organizadores… se tem sacanagem, é por que no fim das contas é o sexo que une todo mundo ali. A Madonna e a Britney são mais uma coincidência.
E se fosse para conquistar igualdade de direitos, a luta deveria ser por invisibilidade, que é o que têm os heterossexuais. Igualdade seria ninguém questionar com quem você faz sexo, independente dos seus outros traços culturais. Não fazer disso a sua identidade.
Se hoje precisamos dessa etiqueta, é por que ainda há muito o que consertar, mas sonho com o dia em que todos poderão ser o que quiserem…