Quando Christopher Nolan anunciou seu reboot de um dos personagens mais aclamados dos quadrinhos, o Batman, ninguém nunca imaginou que ele fosse redefinir todo o gênero dos filmes de super-heróis já feitos.
Em Batman Begins, o diretor criou com alguns flashes que a principio pareceram confusos, uma nova origem para Bruce Wayne, onde o vimos como uma criança. Um homem isolado por 7 anos treinando com uma liga secreta de Ninjas, conhecida como Liga das Sombras, voltando a Gotham para derrotar o primeiro de seus inimigos a ir para o famoso Asilo Arkham, o Espantalho. O primeiro filme da trilogia fez um sucesso moderado na época de seu lançamento, fazendo o ator Christian Bale ganhar mais destaque do que jamais tivera em toda a sua carreira no papel principal.
Em 2008, a carta na manga de Nolan, com a desculpa do eufemismo, foi lançada. O Cavaleiro das Trevas, apresentando o maior inimigo de Batman, o maior de todos os vilões dos quadrinhos, a melhor adaptação de todos os tempos do Coringa. Interpretado por Heath Ledger, o personagem se tornou o mais cultuado do universo DC. Ledger que morreu, dizem, por ter perdido completamente a cabeça após permanecer meses trancado num quarto de hotel para “encarnar” o Coringa, foi o melhor – e provavelmente será para sempre – vilão que o Morcego já enfrentou, fazendo até muita gente esquecer que nesse mesmo filme outro famoso inimigo foi apresentado: Harvey “Duas-Caras” Dent, que é o gancho do segundo para o terceiro filme.
Finalmente, após o trágico massacre do Colorado e uma semana a mais de espera, posso dizer o que foi Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Como já disse, toda a trilogia foi uma redefinição dos heróis no cinema, e a partir de agora Nolan se torna o Stan Lee, o Alan Moore, da sétima arte.
São 2h45 minutos de filme em que você fica tenso, do começo ao fim. Algumas coisas incomodam aos mais familiarizados com a história do Batman nos quadrinhos, mas elas são aliviadas no decorrer do filme e após sua exibição, quando a cabeça fica a mil e você se pergunta: o que vem em seguida? Com atuações impecáveis de Bale e do melhor Comissário Gordon já feito, interpretado por Gary Oldman, o destaque dessa versão vai para a Mulher Gato, a belíssima Anne Hathaway. O filme nos mantém na dúvida se gostamos ou não durante suas quase três horas, mas é no final que a maioria leva um susto e tem alguma certeza, se sim ou se não.
De forma geral, sem entregar a trama do filme, em minha opinião O Cavaleiro das Trevas Ressurge, e toda a trilogia de Nolan está no topo dos filmes de super-herói. A essência do Batman dos quadrinhos foi transferida com maestria para as telas, com alguns adicionais. Vimos o Coringa, o Espantalho, o Duas-Caras, a Mulher Gato e Bane. Ainda que o segundo filme da franquia continue sendo o melhor, talvez pela presença essencial de Heath Ledger que se entregou e se tornou o Coringa, ou pelo clima de que há algo apenas começando, O Cavaleiro das Trevas Ressurge mostrou a que veio, tornando a trilogia de Nolan algo a ser assistido pelas próximas gerações. Ano que vem teremos outro reboot, agora com Superman: O Homem de Aço, dirigido por Zack Snyder e produzido por Christopher Nolan. O trailer foi lançado junto de Batman e mostra um Clark Kent um pouco diferente do que conhecemos, com uma versão narrada pela voz de Jonathan Kent e outra pela voz de Jor-El falando sobre o destino do último filho de Krypton.
O futuro dos filmes da DC tem um horizonte: a Liga da Justiça em 2015, como foi declarado na Comic-Con desse ano. Até lá mais alguns heróis serão vividos nas telas, enquanto que o destino do Homem-Morcego nos parece incerto, Christian Bale já declarou que gostaria de reprisar o papel de Batman na Liga da Justiça. O que vem em seguida ainda soa como misterioso, mas aguardamos algumas adaptações para outros heróis da Liga. E se Christopher Nolan estiver envolvido com eles, tanto melhor.



