A grande obra prima de Christina Aguilera, o álbum Stripped completou uma década não faz nem um mês e a moça, aproveitando o período simbólico lança seu mais novo álbum: Lotus. E logo de cara ela já dá as boas-novas:
“Para o céu eu me ergo
Abro minhas asas e voo
Eu deixo meu passado para trás
E digo adeus para a criança assustada aqui dentro
Eu canto por liberdade e por amor
Eu olho meu reflexo
Aceito a mulher que me tornei
A inquebrável lótus em mim
Agora eu deixo livre”
Com essas palavras é que Aguilera retorna ao cenário musical após alguns anos de altos e baixos – mais baixos do que altos. Um CD que não foi muito bem recebido pelo público ou pela crítica (Bionic, 2010), um divórcio, o erro mais fatal para os norte-americanos – de errar a letra do hino -, ganhou peso de mais para os olhos da imprensa. Mas, teve um bom retorno em seu primeiro filme Burlesque ao lado da lendária Cher, e deu a volta por cima ao estar em um dos programas de maior audiência da televisão norte-americana: The Voice. Com Lotus, Christina abraça suas raízes pop e dá uma novo ar à sua carreira.
A princípio, nas entrevistas, a cantora afirmou que seu novo álbum seria um Stripped 2.0, e foi mais ou menos isso que ela conseguiu, de fato. A introspectividade marcante do álbum de 2002 está nesse novo trabalho, mas com um otimismo muito maior do que a da jovem Christina de 20 e poucos anos que escreveu com o coração. A mulher, Christina, fala de uma forma mais madura de sua vida. Ela trabalhou com Sia mais uma vez na faixa Blank Page, finalmente encontrou o mago da música pop, Max Martin no single de estréia Your Body.
Uma das coisas mais marcantes de Stripped e que retorna em Lotus é o tom de superação. Não uma superação “quase-lá” como foi com Bionic em faixas como You Lost Me, mas uma superação completa antes só vista em Fighter, retorna em sua “continuação”, uma Fighter 2.0, nas palavras de Christina. Army of Me diz:
“Uma de mim é mais sábia
Uma de mim é mais forte
Uma de mim é uma lutadora
Há mil faces de mim mesma
E nós vamos nos erguer, e nós vamos nos erguer
Por todas as vezes que você me fez mal
Você enfrentará um exército
Um exército de mim”
Com referências claras a Fighter, ela se coloca em pé de guerra com todos aqueles que a quiserem derrubar. Bate de frente com os haters em Circles e faz a melhor colaboração de sua carreira (com exceção, talvez, de A Song For You com Herbie Hancock) em Just a Fool com o parceiro de The Voice, Blake Shelton. Ao contrário da morna Make The World Move com a participação de Cee-Lo Green que deixa muito a desejar. Com uma forte pegada comercial, Christina apresenta Let There Be Love feita para as pistas de dança e para ser um hit.
Com suas raízes pop, Christina volta a ser o que foi um dia: uma popstar. Mas ainda se diferencia de suas colegas de profissão por participar ativamente de toda a produção do álbum, por ser uma obra sua com colaborações, pois nada se faz sozinho. Ela não esquece de seus fãs e dedica a faixa Sing For Me à todos aqueles que não desistiram dela mesmo nos momentos mais críticos de sua carreira. O álbum trás baladas mais poderosas do que as músicas mais animadas, as explosivas Best of Me e Empty Words provam isso. O otimismo e visão de futuro presentes em Lotus se repetem com mais força na faixa Light Up The Sky, uma das faixas mais otimistas da carreira de Aguilera. Mas, talvez, o momento ápice do álbum se dê na faixa Cease Fire onde Christina pede para que se pare essa guerra desnecessária. Essa é uma daquelas faixas pop que levam um duplo sentido que a torna atemporal. Ela pode ser entendida tanto como uma música que trata de relacionamentos como uma música que trata da guerra em si. É um ponto positivo de Aguilera que já havia sido mostrado em seu Back To Basics na faixa Welcome.
Num todo, Lotus é um álbum que merece ser ouvido e apreciado em todas as suas camadas, ainda que as faixas comerciais não combinem muito com Christina, ela não deixa sua veia crítica e “contra a maré” longe desse trabalho. Ela se torna a inquebrável flor de lótus, da primeira até a última faixa, e isso é algo que ninguém pode tirar dela. Sua força e sua voz.











