SerieAllAddicted: Will & Grace

Megan Mullally (Karen), Eric McCormack (Will), Debra Messing (Grace) e Sean Hayes (Jack).

Megan Mullally (Karen), Eric McCormack (Will), Debra Messing (Grace) e Sean Hayes (Jack).

Se você, como eu, assiste muitas séries, não é difícil pensar naquelas que marcaram a sua vida de alguma forma. Na coluna desta semana irei falar um pouco sobre a segunda série que tive contato na vida: Will & Grace. Acredite, você precisa ver esta série. Continuar lendo

Presença de Anitta

Anitta DivaPRE-PARA, leitor meigo e abusado, que tá todo mundo BA-BANDO! Sim, estou falando da poderosa Mc Anitta, que a cada dia se firma mais e mais no posto de “Diva gay”. Não, não no nível Maria Callas Britney tá bom.

Anitta tem apenas 20 anos e sua carreira começou de um jeito muito apropriado para sua geração: ela postou um vídeo no Youtube, mostrando seus dotes de cantora e dançarina, e foi chamada para um teste pela Furacão 2000. Extrovertida e com voz potente, a menina começou a fazer sucesso no mundo funk, e agora começa a ser notada pelo mainstream, com a pegada mais pop de seus sucessos recentes.

Anitta PoderosasÉ um exagero chamá-la de “Diva Gay” ou compará-la à Britney Spears? Nem tanto. Infelizmente, faz parte da cultura nacional menosprezar o que é nosso e valorizar o estrangeiro, como se gemer e bater o cabelo em inglês fosse mais bonito do que em português. Outros fatores relevantes são o machismo, porque tudo que é feminino (ou efeminado) é considerado inferior, ainda mais quando uma mulher demonstra poder sobre sua sexualidade. Há também o elitismo, porque funk “é som de preto, de favelado” (mas sim, quando toca, ninguém fica parado). Tal qual Valesca Popozuda, Anitta canta sobre o poder feminino, o “direito de resposta”, o uso do sexo e de como é fácil manipular os homens. Combinação perfeita para conquistar o público gay, que tem sua forma particular de consumir a sensualidade feminina, seja por identificação, falta de senso crítico ou só diversão. É uma fórmula: mulher bonita + roupa sexy + letra esculachando homem + coreografia = Público gay. Isso é ruim? Não. Temos que tomar cuidado para não reproduzir certos padrões e não acabar reforçando a ideia de que o homem manda e que a mulher só pode conquistá-lo através do sexo. Mas a beleza da liberdade de escolha é que ela permite que uma moça seja dona de casa, presidente ou funkeira. Tanto o pop quanto o funk usam a ironia, e é por isso que o “meiga e abusada” de Anitta confunde. Seria uma conformidade com o papel que se “deve” desempenhar para o homem ou uma ridicularização do “cabresto” criado por ele?

Anitta GayQue venham mais Anittas. Nem sempre é necessário um grande tratado acadêmico para colocar em cheque as estruturas sociais, e OH!, como precisamos rir um pouco mais de tudo ou simplesmente jogar o cabelo pro lado, nos sentindo poderosas.

Falando nisso, saiu o novo clipe da bela. Show das Poderosas:

Quando a mise-en-scène americana falha e o show é desperdiçado

O valioso e histérico mercado de entretenimento americano foi construído em cima de sua própria expectativa. Figuras míticas como Michael Jackson e Madonna fomentaram essa grandiloquência que tem nos anos 80 seu ponto nevrálgico, para estabelecer o poder imagético e repercussivo da cultura pop norte-americana.

Não é à toa que os chamados grandes eventos se firmaram nesse paradigma, seja pela suntuosidade de uma noite do Oscar (Whoopi Goldberg descendo faceiramente do teto numa espécie de “balanço”), seja pela dancinha sensualizada de Britney Spears com uma cobra real no VMA ou até pelo helicóptero “salvando” Diana Ross no final de seu show do intervalo do SuperBowl… Eis a capacidade de impressionar.
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Já que fomos “domesticados” a essa comoção, acaba que o nível de exigência aumenta na mesma proporção gradativa. Por isso que quando Beyoncé usa os valiosos 12 minutos da pausa bilionária do SuperBowl para uma apresentação apenas protocolar, a reação não poderia ser menos frustrante. O mesmo vale para a mediocridade, pelo menos artística, no noite do Oscar.

Cercada de expectativa pós-Madonna em 2012, Beyoncé (e marketing poderoso) se cercou de uma prerrogativa tarimbada, como o artista visual mais hypado do momento, Michael Langan, porém sucumbiu a sua própria própria redundância. O que já é muita coisa, mas não o que se espera de uma artista dessa dimensão. Ainda mais para quem dirige a carreira com a precisão de uma espécie (tão em desuso) de rainha do pop. Quem acompanhou suas apresentações na escalafobética despedida da Oprah, ou até mesmo no Billboard Awards, onde até foi homenageada, não acreditou no show irritantemente mediano e anti-climático que ela ofereceu no início de novembro. É preciso muita astúcia para manter o que se construiu e o que desvia disso vira mediocridade.
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O Oscar também caiu nessa auto armadilha, mas aqui o oportunismo falou mais alto. Na busca desesperada por alcançar a audiência sem juízo de valor nem de sua puberdade, a direção se entregou a superficialidade dos números musicais (elenco “escondido” atrás de tapumes de led no horroroso número de “Os Miseráveis”, iluminação primária na homenagem à “Dreamgirls” e falta de posicionamento cênico para Norah Jones, em sua apresentação, são alguns dos erros mais gritantes, sem contar a abertura um tanto perdida e sem impacto) e a delicada opção por pautar seu ponto de repercussão (apenas) na figura de seu controverso apresentador.

Claro que os americanos ainda têm muito a nos embasbacar, só que a globalização estende a criatividade de espetacularizar (tanto que no, até então apagadinho, Brit Awards 2013 o uso inteligente do led em números pulsantes renderam audiência e ressonância histórica). Isso quer dizer que numa escala global, a cultura pop americana ainda precisa oxigenar a noção de referência. Crise criativa? Defasagem industrial? Não sei. Por enquanto, ainda nos resta a pretensão de Madonna e a (impressionante, como bem ilustrou o novo espetáculo do Cirque du Soleil) memória afetiva de Jackson.