“Essa bicha não me representa!”

serginho orgasticNos últimos dias, falamos muito em Direitos Humanos. Foi muito fácil xingar muito no twitter, dizendo que aquele mocinho de sobrancelhas feitas e chapinha no cabelo não nos representa, e com isso mostrar o quanto somos politizados. Fácil demais até, na velocidade de um LIKE. Mas há outro tipo de pessoa que, embora não esteja na presidência de nenhuma comissão da câmara, também provoca gritos de protesto entre os gays, que clamam não serem representados por elas: as bichinhas.

DandoPintaSloganEscolhi uma foto do Serginho Orgastic, do BBB10, para ilustrar essa coluna. Motivo? Sempre que vejo alguma notícia sobre ele, há uma enxurrada de comentários maldosos, fazendo graça, se referindo ao rapaz no feminino (como se isso fosse defeito) e sempre frisando que “isso não nos representa” ou pior ainda, que “é esse tipo de gay que não se dá ao respeito e prejudica o movimento”. Não vou nem falar em Homofobia Internalizada, pra não ficar chato… o que falta a essas bibas preconceituosas é vergonha na cara mesmo!

Tá boa que vocês são representadas APENAS por aquele estereótipo gay-branco-limpinho-másculo-sarado-topete-iPhone-Lacoste, néam? Se hoje falamos em Direitos Gays, é justamente por causa dos homossexuais efeminados e marginalizados, que deram a cara a tapa para clamar por orgulho numa época em que isso levava à prisão. Se hoje nós podemos dar pinta com calça da Hollister, mandando tchauzinho pras amigues na fila da The Week, é por causa desses gays também, que ainda são motivo de chacota nos programas humorísticos e pior, dentro da nossa própria comunidade. Onde vocês pensam que reproduzir o machismo, que nos vitimiza, vai nos levar?

Não conheço o Serginho e aqui não está em discussão a pessoa dele. Se ele é legal ou não, se é honesto, se é bonito, se é feio… mas é daí que ele quer usar bolsa, tirar foto maquiado ou idolatrar a Paris Hilton? Por causa disso ele é motivo de vergonha? Por causa disso ele (e diversos outros meninos que agem igual) são responsáveis pelas derrotas que a comunidade gay vem sofrendo no espaço social? Quer dizer, então, que só vale ficar postando foto no Instagram se for junto dos bróder, todo mundo com camisa pólo, fazendo sinal de joinha pra câmera? Pelamor, né?! Ninguém é obrigado a ir lá dar um beijo na boca de uma pintosa, ou sair por aí com acessórios femininos, só por ser gay, mas temos que entender que algumas pessoas se sentem bem assim. Não só elas estão no direito delas, como estão, também, tomando uma posição muito mais política e corajosa do que tentar “se infiltrar” no mundo normal ao impor a heteronormatividade como estilo de vida.

Voltando aos acontecimentos recentes, é muito fácil protestar e dizer que pastores fundamentalistas não nos representam. Todo mundo sabe que eles são doentes mesmo, e até os religiosos já estão se revoltando com certo tipo de discurso. Mas temos que tomar cuidado, porque também é fácil apontar para aquela bichinha (lembrando sempre que os outros dedos estarão voltados pra você) e acabar repetindo a mesma cantilena dos nossos inimigos: Ninguém nasce assim, isso pode ser curado, tal comportamento é um desrespeito.

Mais do que nunca, se você é gay e se preocupa com os direitos dos outros, permita-se. Seja livre. Seja fabuloso.

Leia DANDO PINTA todas as quartas, aqui, em Os Entendidos.

Programa Os Entendidos – Justiceiros do Facebook

    Neste episódio do programa Os Entendidos, Fab, Leo e Xari discutem sobre a onda maciça que de pessoas que fazem do facebook palanque de “ataque” ou um meio de fazer “justiça” pelas próprias mãos…falada/escrita. Fab denominou a esse efeito e tipo de pessoas: Justiceiros do Facebook. 

“Sexo, mentiras e videotape” ou “Por que o BBB12 deveria ser o último?”

Depois de doze anos, não se pode negar que a relação entre o público e o BBB é “pra valer”. A cada ano que começa, somos apresentados a mais um time de pessoas escolhidas pelo Boninho e acompanhamos suas “vidas” numa casa de gosto duvidoso, com algumas provas ridículas e festas piores ainda.

Esse elenco determina o sucesso e o fracasso de cada edição, e nesta décima segunda, o resultado é dos piores. Se no início os únicos a reclamar do programa eram os metidos a cult que protestavam no Facebook, agora até quem se interessou em assistir já não liga mais… o próprio formato é cansativo.

Só que o grande fascínio do BBB nunca foram os confinados, e sim quem assiste o programa. As novelas são um patrimônio cultural do país, mas nenhum programa revela o que somos como o Big Brother Brasil. A forma incoerente de julgar valores, o falso moralismo, a eleição de ídolos, a vitimização… está tudo lá, a cada voto computado via internet ou torpedo.

Então, nessa edição fraca, o momento mais marcante foi um suposto estupro. No episódio, tínhamos a mulher sendo julgada pela vulgaridade, ainda que todo o ambiente criado fosse para estimular isso. Tínhamos a curiosidade do povo em investigar o que acontecia embaixo dos edredons, e logo a coisa se transformou num circo de mídia, onde a platéia era a estrela principal.

Como em todas as coisas, existia gente inteligente e boa, com opiniões e análises contundentes, sobre o papel da emissora, da mulher, do machismo e até da mídia. Mas a maioria das pessoas estava se divertindo com o show. Gritava por justiça, quando na verdade o que queria era atirar alguém aos leões. E como no Brasil a opinião pública tem muito maior poder de condenação do que qualquer juiz, esse caso já estava resolvido na hora em que começou.

Baixaria no BBB! Que absurdo! Por causa dessa história, conversas e cenas polêmicas passaram a simplesmente sumir do programa, até na exibição do pay-per-view. Uma conversa em que Jonas comentava sobre o “vídeo erótico” de Yuri teve o áudio cortado. Que ironia! Justo o Jonas, que recentemente comentou que posaria nu por meio milhão de reais, sem saber que ele também tem um vídeo onde se pode ver tudo grátis rolando na web

Depois, quando Renata e Jonas dormiram juntos no quarto do líder, as imagens simplesmente não foram exibidas. Quer dizer que depois da polêmica até o sexo consensual não tem mais espaço no programa? É engraçado, por que nudez e sexo acontecem nas edições estrangeiras o tempo todo, mas aqui no Brasil de tantas bundas e do paraíso hedonista do Carnaval, são coisas de outro mundo.

Agora, as últimas imagens são do casal Yuri e Laisa. A edição deixa claro o que aconteceu entre os edredons, mas o tempo todo voltava para a festa onde os outros participantes estavam só conversando. E com a nova cena de sexo, mais uma enxurrada de opiniões sobre a conduta dos envolvidos. Palavras pouco elogiosas para uma moça que faz isso na TV, os comentários maliciosos de praxe em relação ao homem que conquista o que quer, e julgamentos de valor quanto a ação e a exibição da mesma. Estão lembrado que esse é o mesmo país do Carnaval?

Mas por que essas coisas seriam motivo para o fim do programa? Sexo é um dos campos mais reveladores da natureza humana, e com toda a carga social que ele carrega não espanta que seja tão fascinante e tão repelente ao mesmo tempo, para uma mesma sociedade e num mesmo lugar. Só que, como eles dizem, “as máscaras vão cair”. A do público continua, não seria uma crítica dessa que a retiraria. Mas a máscara do reality show já caiu. Não importa se é tudo armado ou não, mas esses casos só mostram que o que vemos no vídeo está sendo frequentemente manipulado, se não por um roteiro, pela edição de imagem e áudio. Não existia nada de real naquele universo de algumas pessoas numa casa, mas sem censura se podia sustentar a idéia de que dentro dali, as coisas eram genuínas.

Do jeito que está, não existe a menor credibilidade. Todo mundo sabe que uma relação, mesmo que longa, não pode sobreviver sem um mínimo de confiança. E com esse elenco fraquinho então… já deu!

Bem, no caso, estão dando, né?