Na madrugada dessa noite o nosso caro amigo, Marco Feliciano, colocou na ordem do dia, para análise, dois projetos que serão discutidos na CDHM na próxima semana. O primeiro dá permissão a Psicólogos de tratarem de homossexuais, como se a homossexualidade fosse de fato um distúrbio psicológico que necessita de tratamento. O segundo pretende criminalizar a heterofobia.
Desde a tomada da Presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias por Feliciano, manifestações vem ocorrendo em todo o Brasil (e até fora), e elas aconteceram por um tempo e, em seguida, perderam forças até finalmente não terem mais qualquer visibilidade. Quando Marx termina seu Manifesto do Partido Comunista pedindo que todos os trabalhadores do mundo se unissem para dar início a Revolução, ele considerou algo importante: persistência e a força crescente do movimento trabalhista no mundo. Fazendo uma analogia ao movimento em favor dos Direitos Humanos (e não um movimento contra Feliciano), nós acabamos perdendo nossas forças. Provavelmente porque o brasileiro não é politizado (afinal, eles reclamam de manifestações como as que vem ocorrendo todas as semanas na Avenida Paulista, contra o Governo Alckmin que simplesmente abandonou a educação pública paulista e não cumpre com a lei em relação aos professores), o brasileiro é social. Cuida apenas da sua própria vida, e não se importa muito com a vida alheia. É por isso que, na calada da noite, no melhor estilo Sherlock Holmes, Feliciano lançou esses dois projetos sem medo.
A pressão popular, depois de ter sido constantemente boicotada pela grande mídia, perdeu suas forças contra o Pastor. E é assim que se vencem batalhas. Quando não se tem contra quem lutar, o adversário sempre vence por W.O. E ao exército opositor ao nosso, acrescem-se alguns psicólogos que não honram suas profissões e que, certamente, vão querer curar a todos aqueles que, por algum motivo, se sentirem perdidos por serem “diferentes” e procurarem ajuda profissional. Ao invés do encorajamento de se “sair do armário”, de se ser honesto consigo mesmo, essas pessoas serão encorajadas a negar tudo aquilo que são e viver em infelicidade até que se prove o contrário. Nem Jesus na causa pra esses.
Quanto a heterofobia, o assunto é tão absurdo que me espanta, mas, afinal, o Brasil é um país absurdo por si só (Lewis Carroll, criador de Alice no País das Maravilhas, ficaria assustado com tanta falta de sentido no mundo real). Ao se reconhecer a heterofobia como uma forma de injustiça, nós estamos cedendo a esse absurdo que não entra (não deveria entrar) na cabeça de nenhuma pessoa que esteja com apenas um pé fora do rebanho.
Mas, afinal de contas, quantos de nós estamos fora desse rebanho? Poucos. A indignação é tanta, não com Feliciano, porque dele eu já esperava algo do tipo. Mas é tanta com o povo brasileiro, que eu simplesmente não sei mais como proceder. Enquanto nos preocupamos com o final de Salve Jorge, com a abertura da Copa das Confederações, os mesquinhos aproveitam toda essa distração pra destruir os Direitos Humanos. Isso tudo refletido na falta de preocupação do Governo e da População com a Educação Pública do Estado mais rico do Brasil. No final das contas, tudo está ligado. Todos os nossos problemas são uma coisa só. O da Educação. E o que fazer agora? Fica aí a angústia da 6ª maior Potência Econômica mundial que em dez anos voltará a ser um zero a esquerda no mundo globalizado, por não ter formado profissionais para isso e, principalmente, por não ter se lembrado dos direitos humanos de cada cidadão. Parabéns, Brasil por toda essa desordem e regresso!






