Umas da características mais marcantes da dominação irracional dos homens sobre as mulheres é seu grau de universalidade. Seja na Europa, na África, na América Latina ou em qualquer outro ponto do globo, podemos encontrar atitudes misóginas e de opressão pautadas em um claro desprezo e temor por tudo que esteja intrinsecamente ligado a feminilidade.
O fato é que mulheres historicamente são perseguidas, humilhadas e obrigadas a se submeterem ao universo-padrão de dominação masculina heteronormativa (para usar o termo da Teoria Queer), de uma forma ou de outra, queiram ou não… Como forma de expressão chave do patriarcado, o machismo e a dominação sobre a mulher remonta aos tempos mais antigos. O discurso machista atual, porém, muitas vezes se mistura com o senso comum e passa muitas vezes despercebido do olhar menos atento e criterioso.
No Ocidente, de fato, as mulheres já obtiveram ganhos mais do que reais no seu direito de serem independentes e respeitadas em sua condição como ser humano, em qualquer esfera social. Das sufragistas da década de 30, passando pela Revolução Sexual pós Segunda Guerra, seguida pelos Movimentos Feministas da década de 60 e chegando ao novo Feminismo atual (como A Marcha das Vadias) e o questionamento das regras e papéis de gênero da Teoria Queer, as mulheres mostram que sabem se afirmar e se organizar na luta contra o machismo.
É com grande medo e asco que, apesar disso tudo, podemos constatar que o machismo perdura ainda na sociedade mundial, e que preserva sua característica de discurso universal, onde por mais diversa que seja a cultura de um país o discurso irá manter sua base de argumentação (ou falta dela): o medo e o desprezo infinito transformado em violência declarada ou não contra as mulheres. No Brasil, por exemplo, esse discurso é perpetuado politicamente, de forma bem clara, por uma Bancada Cristã no Senado, extremamente conservadora e com uma influência absurda na política, e que boicota e barra a luta por direitos sociais mais amplos (como a legalização do aborto e o casamento homossexual) e que alimenta e mantém sempre presente e ativo o status quo do discurso misógino de desvalorização da mulher.
É chocante observar que o dito e enaltecido “país onde tudo é possível” sofra problemas quase que idênticos ao brasileiro. Há alguns dias atrás, nos Estados Unidos, o candidato ao Senado, pelo Partido Republicano, Tod Akin tentou justificar sua absurda oposição ao aborto, em qualquer circunstância. Quando perguntado sobre o aborto em caso de estupro o político republicano soltou que pelo que ele entende de medicina (que deve ser nada!), casos de gravidez após estupros são muito raros. Completou ainda que: “Se é um estupro legítimo, o corpo feminino tem maneiras de tentar fechar essa coisa toda. Mas vamos supor que talvez não funcionou ou algo assim. Eu acho que deveria haver alguma punição, mas a punição deveria ser sobre o estuprador.” Dessa forma conclui-se que permitindo e legalizando o aborto, a mulher estaria sendo punida por ter sido estuprada? Que lógica é essa? Claramente a lógica que norteia o pensamento e o discurso de Todd Akin perpassa uma percepção machista e extremamente patriarcal da condição feminina. Continuar lendo →