Viva a diversidade sexual.

Não, eu não estou fazendo apologia às orgias e ao que ainda se considera aberração e bestialidade (também não estou julgando o que possa vir a ser isso). Estou convidando os leitores a pensar de maneira mais tolerante quanto ao “Universo” alheio, o respeito à vida e às escolhas dos outros.

Não apontar o dedo ao outro, em forma de julgamento, é um exercício.

“Existe ex-gay.” Essa frase pode parecer extremamente absurda a qualquer pessoa que pense de maneira cartesiana, que está acostumada com rótulos e padrões delimitadores:” temos de fazer assim, pensar assado, vestir isso, comer aquilo”, sempre legitimado com o comportamento de massa. O que a maioria faz, você “tem de fazer”, como nossa brincadeira de infância chamada “macaquinho/chefe mandou”.

Eu mesmo, há tempos atrás, poderia dizer que não existe ex-gay, mas com o tempo percebi que existe algo por trás de toda nossa atuação _ sim, acredito que 90% do que vivemos é pura atuação (somos de um modo para nossos familiares, de outro para nossos amigos, outro ainda no trabalho, outro nos relacionamentos amorosos ou sexuais e por aí vamos sendo cada vez mais outros) e ainda acreditamos ser nós mesmos no meio de todo esse espetáculo _ onde ser homem ou mulher é apenas alegoria.

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Um bom motivo pra torcer pro Léo Áquila…

Com mulheres do quilate de Gretchen, Viviane Araújo, Ângela Bismarchi e Penélope Nova, o casting feminino dessa edição de A Fazenda só ficaria melhor se conseguissem a Luana Piovani.

No lado masculino, é torcer para o Felipe Folgosi e o Lui Mendes tratarem logo de tirar a roupa, já que graças aos céus os lindos Gustavo Salyer (ou Moraes) e Diego Pombo já exibiram tudo.

Mas o participante mais interessante é “o melhor de dois mundos”.

Léo Áquila é o gay da vez, já que parece mesmo existir uma cota rosa nos reality shows brasileiros. Trans? Drag? Menino? Não importa! Léo já chegou DIVANDO com um vestido vermelho que foi um tapa na cara das periguetes do programa. Simpático, já é o responsável pelas cenas mais divertidas da casa.

Pode ser que algum participante se sinta desconfortável com uma visão tão exótica, mas no Brasil politicamente correto (e fake) de hoje, ninguém vai falar. Só que perguntar não ofende, então os peões quiseram saber como Léo gostaria de ser tratado, e a resposta foi muito interessante:

“Sou menino e também sou menina.”

Léo faz piada de si mesmo, como mecanismo de defesa, como é comum a muitos gays. Ele antecipa os questionamentos, falando sobre ser pai, ter colocado silicone, e aceitar ser tratado como os colegas preferirem. Disse que sente vergonha de parecer sexy, porque não é uma mulher, e nessa confusão toda ele acaba acertando.

Em tempos de luta pelos direitos gay, pode parecer que a indefinição de Léo é um desserviço, mas é exatamente o contrário. Ele talvez nem tenha parado pra pensar nisso dessa forma, mas balançar as estruturas das definições de gênero é algo muito importante, para os que lutam contra e para os próprios gays. É claro que dentro dessa comunidade terá muita gente torcendo o nariz, mas uma figura como Léo é muito mais positiva do que um homem-branco-cristão-limpinho-masculino que, por acaso, seja homossexual.

Top Model T.

Lea T acaba de fotografar a coleção resort da marca francesa Givenchy, ao lado de outras top entre elas Carol Trentinni.

Conhece Lea T? Já falamos dela aqui, mas vamos ás apresentações…

Lea. T modelo, 30 anos

A mineira, filha do ex-jogador de futebol, Toninho Cerezo (conhece? Nem eu, não importa), nasceu menino e com quase 25 anos resolveu assumir para si mesma o que era. Não simplesmente gay, mas mulher em um corpo de homem. Ela era constantemente confundida com menina até em seleção para modelos, mesmo assim se negava. Em uma emocionante entrevista no programa da Oprah ela disse:

 ” Eu estava esperando que eu fosse gay. Eu estava tipo, ok, eu sou gay, porque para a minha família é menos doloroso.”

“Eu gostaria de poder aceitar meu corpo como um homem. Eu seria um cara hétero, teria uma namorada e uma família, filhas, uma vida normal, mas é algo em meu cérebro. “

Internacional, foi estudar fora e viveu grande parte de sua vida fora do país, morou em diversos países entre eles Milão, Japão e França, conheceu todos que precisava conhecer para saltar no mundo da moda, entre eles o incentivador Ricardo Tisci, estilista de uma das mais tradicionais marcas francesas, a Givenchy.

Sua carreira de modelo envolve trabalhos para grandes revistas entre elas a Vogue, Elle e desfiles na Alto Costura de paris e muitos outros principalmente fora do país.

Lea T. e Kate Mosss

Porém talvez um dos trabalhos mais belos e importantes de sua carreira seja a campanha e desfile para a marca de moda praia, Blue Man no verão 2012. No desfile do Fashion rio Lea T. surgiu de biquininho, no carão, fez os olhos saltarem em busca de um detalhe, inexistente, revelando uma mulher confiante e poderosa como toda modelo deve ser.

Campanha Verão 2012, Blue Man

Marlon Teixeira e Lea T. fotografada por Terry Richardson para Blue Man

 O mais legal e significativo de seu trabalho é o fato dela estar cada vez mais participando de trabalhos simplesmente femininos, sem rótulos e anunciação de modelo Transex ou algo do gênero, trabalhando apenas pelo seu corpo e postura como modelo.
Outro exemplo de diversidade no mundo da moda é o modelo Andrej Pejic, modelo também reconhecido internacionalmente, que por sua forma andrógina trabalha tantos em desfiles e campanhas femininas quanto masculinas, apesar de ser homem. Perguntado sobre o fenômeno Lea T. disse:

“Há semelhanças entre mim e Lea T, e nós somos colocados na mesma categoria, mas o nosso olhar é muito diferente.

“Lea tem sido extremamente corajosa em ser muito honesta sobre sua jornada -, mas eu realmente não me vejo aqui para desafiar estereótipos transexuais.”

Um novo padrão de modelos realmente acontece, e com ele preconceitos e verdades serão quebrados.