Pra quem não sabe o moço na foto é o Ted do seriado norte-americano Queer as Folk, que retrata a vida de um grupo de homens gays numa cidade dos Estados Unidos. Ted é o mais “contido” de todo o grupo, aquele que não faz questão de externar o “gay” que ele é.
A atitude gay, ou o famoso esteriótipo gay que é conhecido por quase 100% da população, acaba sendo algo extremamente exigido (tácitamente) dentro da comunidade LGBT. Pois, afinal, o orgulho gay deve ser demonstrado. Mas, o que é orgulhar-se de ser o que é? O que é orgulhar-se de ser gay? E essas pessoas que não gostam de demonstrar sua sexualidade, será que elas acabam sendo uma minoria dentro da minoria? Provavelmente.
Muitos tendem a pensar: “vou sair do armário e tudo vai ficar melhor, as pessoas vão ou me respeitar, ou me odiar”, de certa forma isso acaba sendo verdade. Eu não costumo encorajar ninguém a ficar no armário, pelo contrário, costumo encorajar todos os que conheço a sair dele e ser feliz, do jeito que forem.
Ao sair do armário você acaba se deparando com um mundo diferente do que a maioria chama de “mundo real”. Queer as Folk começa com a seguinte constatação: “É tudo sobre sexo”. Eles acabaram voltando atrás no decorrer das cinco temporadas exibidas. Mas, na verdade, tudo acaba sendo só sobre sexo. E também sobre corpos perfeitos e musculosos.
Atualmente os astros de Holywood passaram a causar muito mais impacto na cultura de massa do que as atrizes costumavam causar antigamente. Qual é o homem – hétero ou gay – que não quer ter o corpo do Chris Evans hoje? Mas nesse mundo “fora da realidade” das maiorias, esse desejo é muito mais forte.
Queer as Folk é, no fundo, uma história de amor, daquelas bem sofridas que todo o mundo gosta. Mas a vida parece não ser assim. Isso quer dizer que há algo errado se partirmos do pressuposto que a ficção copia a realidade ou mesmo que a realidade copia a ficção, há algo perdido nesse meio. O homem gay tem medo. Sim, como qualquer ser humano comum, ele teme. Teme o amor, muito mais do que a decepção, pois é ele a causa de todos esses males do coração. Mas, ainda assim, eles querem. Freud dizia que por mais que nosso Super-Ego detenha nosso Id, este ainda manda suas pulsões que devem ser exteriorizadas de alguma forma. E elas sempre são, por meio do culto ao corpo perfeito, a beleza inatingível (sem milagres do Photoshop). E tudo aquilo que não está conforme este culto acaba sendo tido como “esquisito”.
Aqui, o “não-gay” – que é gay – é sempre tido como aquele que tenta ser o que não é. Graças a pressão imposta pela sociedade machista em que ainda vivemos. Mas, sendo assim, estamos falando de um tipo de natureza humana, e vamos além, estamos falando de uma natureza que se divide em sexo e gênero e até mesmo orientação sexual. O que é ser gay? Será que vocês já se perguntaram isso? O que significa ser o que se é? De acordo com Wittgenstein, as palavras são feitas para que possam corresponde a algum objeto factualmente existente no mundo em que vivemos, já Nietzsche insistiu que as palavras são arbitrariedades, que nós as criamos e as usamos conforme forem de melhor ajuda para nós mesmos.
A palavra “gay” significa “alegre” em inglês, linguisticamente é esse seu significado, é isso que quer dizer ser gay. Cada área do conhecimento humano tem sua própria definição, mas talvez o “ser gay” seja subjetivo, embora a maioria dos gays aparentem ser uma cópia do outro, ou uma cópia daqueles(as) que eles admiram. Às vezes, parecemos apenas um reflexo de criações alheias. Um homem gay precisa gostar de música pop? Ele precisa gostar de musicais? Ele precisa ter um corpo definido? Ele precisa ser efeminado? Ele precisa usar roupas coladas? Todo homem gay precisa “dar pinta”? Será que ele não pode apenas sentir atração sexual por outro homem? Claro que pode.
Ser gay, portanto, é uma construção social, tanto quanto o “não-gay” que é gay. Mas, qual deles está sendo mais sincero e honesto consigo mesmo? E talvez a natureza humana seja um dos problemas mais difíceis de ser explicado. Talvez nós não sejamos bons ou maus. Talvez simplesmente não sejamos uma tábula rasa, preenchida ao decorrer de nossas vidas, talvez sejamos outra coisa qualquer. Mas todos temos o direito de não sermos gays, mesmo quando somos gays!


















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