Pobre Diana! Namorar o Super será um desastre para a Mulher Maravilha…

Todo mundo sempre se perguntou se um dia o Superman terminaria namorando a Mulher Maravilha. Os dois são os heróis mais poderosos da Terra, representanes do ideal máximo de cada gênero, sempre pareceram o casal ideal. De repente, em caso da Lois Lane, em sua humanidade lamentável, morresse e deixasse o viúvo mais gostoso do mundo à disposição. Mas nem foi preciso que isso acontecesse nesse novo “arco” narrativo…

Tal hipótese já tinha sido explorada, no arco de histórias “O Reino do Amanhã”, onde vemos os heróis mais velhos. Como Clark e Diana demoram muito mais do que nós para envelhecer, é lógico que um dia o Superman ficaria viúvo, e no fim, acabaria se consolando com a amiga maravilhosa. Ora, é até meio ridículo fazer a amazona esperar a vida inteira, como se fosse um prêmio de consolação, mas até pela dificuldade em achar um parceiro à sua altura, a hipótese é bastante aceitável. Mas esse era um possível futuro. No “presente eterno” dos quadrinhos, há anos que o Superman é um homem casado e a Mulher Maravilha é solteira. Só que agora o universo DC está sendo reformulado (AGAIN), e foi anunciado que o novo status quo terá os dois como um par, num relacionamento que afetará todos os personagens da casa. Como sabemos, é tudo marketing. A editora está testando diversas mudanças, pra ver o que cola e como lucrar com os produtos, especialmente na condução de projetos cinematográficos. A ordem é que os títulos devem dar lucro, e mudanças em personagens tão clássicos sempre geram burburinho, promoção e aumento nas vendas. Mas o problema é como essas experiências afetam a qualidade do produto vendido, e no caso desse relacionamento, não há como ser uma mudança positiva.

O Superman sempre representou o ápice do ideal americano que tanto luta pra proteger. Até pela criação caipira, ele é caretão mesmo, um bom moço. Portanto, é bastante lógico que seja um homem casado. E ainda que a Lois não seja uma pobre mocinha burra, é humana. É infinitamente inferior a ele, precisa de proteção, como todos nós. Por isso que é um relacionamento tão clássico e tão apropriado para o personagem. Na nova fase, ele é mais jovem e solteiro, o que é desnecessário, embora não seja de todo ruim.

Já no caso da Mulher Maravilha, o prejuízo é muito maior. Os heróis da DC sempre foram mais distantes que os da Marvel, sempre foram semi-deuses. Pra muitos, isso é justamente o que atrai neles, e nenhum é tão divino quanto a princesa amazona, com sua origem mitológica e poderes olímpicos. Só que além disso, a Mulher Maravilha é um ícone feminista, e dos mais significativos. Ela é a única heróina com status de ícone pop, e desde sua criação nos anos 40, já colocava em questão o papel da mulher na nova sociedade que se formava após a Segunda Guerra. Durante anos, seu par foi Steve Trevor, que contribuía para o debate sempre que precisava ser salvo pela namorada, ou quando ela tinha que manipular as situações para preservar-lhe o ego. Numa indústria machista como a dos quadrinhos, essa possibilidade de “feminilização” do homem, ao se relacionar com uma mulher tão superior, sempre foi uma das questões mais interessantes da personagem.

Um possível relacionamento com Batman já foi levantado (especialmente no desenho animado da Liga da Justiça), mas mesmo o sombrio Bruce Wayne teria esse problema da mortalidade. De certa forma, só o Superman é um consorte digno para Diana. Mas oficializar isso a coloca finalmente no papel de mulherzinha, sem qualquer questionamento quanto aos papéis dos sexos. E uma das coisas mais femininas que existe, que é o segredo tácito de que são as mulheres que sempre mandam, mesmo quando fingem que são os homens, se perderá.

Então, Mulher Maravilha, foge DO Superman!