Mais uma batalha do Lanterna Verde!

  

   Enquanto americanos que acham ser o Coringa invadem as salas de cinema que estão exibindo Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, a DC volta a falar de seu mais novo personagem gay, o Lanterna Verde Alan Scott. Há pouco mais de um mês, no reboot das séries da empresa de quadrinhos, o primeiro representante dos Lanternas foi transformado em homossexual, na revista mensal Earth 2.

   Desde então, muito tem se comentado sobre a sexualidade dos super-heróis e qual é sua utilidade, se é algo que deveria ser discutido ou não. Ontem, descobri num documentário sobre o Stan Lee que, nos Estados Unidos, como também na França e na Itália, no meio do século passado, os quadrinhos foram censurados. Na Terra do Tio Sam isso aconteceu durante o crescimento da Marvel, após a publicação do livro A Sedução dos Inocentes pelo psicólogo Frederick Wertham. Ele acusava os quadrinhos de incitar a sexualidade e a violência nas crianças, e acreditava que por isso deveriam ser censurados, senão banidos. Uma coisa que deve ser considerada é que tudo aquilo que é perigoso para a moralidade vigente deve ser executado. Tudo aquilo que é perigoso para os interesses econômicos, deve ser exterminado. Isso é algo presente em todos os regimes ditatoriais da história. O que não condiz com certa ideologia vigente passa a não servir.

   O Brasil é visto como uma das maiores potências mundiais, e tem sido considerado um dos maiores “refúgios gays” graças a sua grande diversidade aparente e, é claro, graças a ter a maior Parada Gay do mundo em São Paulo. Tudo isso é uma fachada. Quem vive nas grandes metrópoles ainda têm alguma vantagem, mesmo com toda a recente violência contra homossexuais – como a famosa agressão com a lâmpada na Avenida Paulista. O brasileiro tem a fama de ser um povo acolhedor, desencanado e compreensivo, que não liga muito para os padrões morais vigentes no resto do mundo – principalmente nos Estados Unidos -, afinal, uma vez por ano mulheres seminuas aparecem nas telas de todo o país e ninguém se importa, pois o Carnaval é cultura. Mas a mesma rede de televisão que exibe cenas picantes de sexo em horário nobre não exibe um beijo gay nem depois da meia-noite.

   O roteirista encarregado dessa nova fase de Allan Scott, Ivan Velez declarou na Comic-Con que o novo namorado do Lanterna Verde será um brasileiro. E ao contrário do que todos devem estar pensando, não é uma homenagem ao nosso país, mas um tipo de “vingança”. Velez garantiu que a maioria das críticas negativas que recebeu após a alteração da sexualidade do personagem veio do Brasil. Talvez essa seja uma atitude certa e que serve pra mostrar como o Brasil é hipócrita em relação a esse tipo de coisa. O país onde “tudo bem ser gay, desde que não chegue perto de mim”, o país onde as pessoas têm um medo surreal de resolver sua sexualidade. Os leitores de quadrinhos, que geralmente tendem a ter um nível intelectual um pouco mais alto do que a média das pessoas, terão de engolir um personagem gay nesse universo. E o Lanterna Verde enfrenta sua próxima batalha: contra a babaquice brasileira.