Com a palavra Marcelo de Jesus – o policial do Cine Ideal

     O policial Marcelo de Jesus que me defendeu no caso que ocorreu no Cine Ideal leu o post que escrevi e deu seu relato divino que chegou a me emocionar. Independente de sua orientação religiosa este senhor nos respeita como devemos ser respeitados, como seres humanos iguais que todos somos. =)
Leiam sua resposta:

Olá a todos.

Deixa eu me apresentar: sou o policial em questão aqui!!!
Gostaria de deixar bem claro, antes de falar sobre o lamentável episódio, que sou Policial Civil deste Estado (Inspetor de Polícia), lotado na Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), e que em minhas folgas presto apoio a um grande amigo meu, Orlando Capalluto, dono do Cine Ideal.
Sou cristão evangélico, da tão mal-falada, combatida e mal-interpretada Igreja Universal do Reino de Deus, e como qualquer ser humano desta terra, sou cheio de falhas e defeitos.
Bem, quero deixar, também, bem claro, que não sou, nem nunca fui contra os homossexuais, e procuro agir como determina as escrituras sagradas (amar ao próximo como a mim mesmo). Claro que, se me perguntar, afirmarei que sou contra o homossexualismo, mas JAMAIS contra o homossexual, uma vez que em minha Igreja prega-se que somos todos criaturas de Deus e que não devemos julgar ninguém, para que não sejamos julgados. Diante disso, posso afirmar, com convicção, que AMO a todos, independente de sua opção sexual, pois como disse, Deus não faz acepção de pessoas, e eu também não vou fazer.

Bom, sobre o que aconteceu, posso dizer que fiz exatamente o que minha consciência mandou, agindo dentro da lei, com rigor.
Desculpem-me se não fiz o que muitos gostariam (levar preso, bater, etc.), pois não foi esse o caso…a discriminação é reprovável em nossa sociedade, mas ainda não foi caracterizada como CRIME, dependendo, ainda, de aprovação no Congresso Nacional, daí eu não ter tido a reação de levá-los preso à delegacia. Quanto a bater, vocês já devem ter percebido, pelo que já escrevi, que essa não é mais minha praia.
Quanto ao que falei na hora da abordagem, creio que, por ter sido comentado aqui fora do contexto da situação, foi interpretado de forma errada…eu não falei, ou quis dizer, que existam lugares para gays e outros não…de forma alguma…na hora, o que disse para aqueles rapazes foi que como eles estavam incomodados com as demonstrações de carinho dos namorados, que fosse pra outro lugar, pois ali a festa era deles, pra eles. Assim como eu não gosto de rock, por exemplo, prefiro MPB, não posso ir na porta do Rock’n Rio e ficar criticando abertamente que está lá curtindo, não é verdade? E isso não é discriminação contra roqueiros, o fato de eu não querer ir a um show do gênero, mas se eu for, tenho que aceitar que as pessoas estarão vestidas de preto e pularão ao som da guitarra. Assim eles tem que aceitar namorados gays se beijando, uma vez que a festa é promovida para este público específico. Nunca quis dizer que gays tem que ter lugares próprios para se encontrarem, mas que aquele local, a boate, é um lugar onde os frequentadores são, em sua maioria, homossexuais, e devem ser respeitados por sua opção, não só ali, mas em qualquer lugar.
Para ilustrar o que digo, e demonstrar que falo a verdade, olhem em meu “facebook” e “orkut”, e verão a enorme quantidade de amigos gays que tenho…e não me envergonho disso…e se ainda assim persistir a dúvida, perguntem ao Orlando, ao Vitor Moreno ou a Eula (“hostess” da boate) se sou homofóbico, ou se critico a opção de alguém.

Quanto ao questionamento se fiz isso apenas por estar recebendo da boate para tal, quero deixar claro que passei 2 (dois) anos afastado da segurança da boate, por opção minha, e fui “convocado” pelo Orlando, para reassumir essa função de coordenador da segurança, o que voltei a fazer muito mais pela amizade que tenho por ele (homossexual assumido, diga-se de passagem) que por qualquer recompensa financeira.
E digo ainda que essa função que exerço na boate é para garantir a segurança DENTRO da boate, ou seja, o Orlando jamais me pediu pra dar uma de “segurança de rua”, até porque isso é trabalho da PM. Então o que fiz foi por vocação, por não me conformar com injustiça, por ter isso dentro de mim, isso de ajudar quem me pede, não porque estava sendo “pago” pra isso.

Sei que às vezes, por causa da minha função, tenho que ser enérgico nas minha decisões, mas faço isso pelo bem da maioria que frequenta aquela casa, para que tudo corra bem, e que os frequentadores se sintam seguros e à vontade lá, e para isso, às vezes tenho que ferir o interesse de alguns clientes, e por isso peço que me desculpem se alguma vez fui grosso ou insensível com alguém.

Espero ter podido explicar o fato, e quero me colocar à disposição de quem quer que seja, para que atidudes como a que aqueles rapazes tiveram não se repitam dentro ou fora da boate. Homofobia é reprovável tanto aos olhos do homem quanto aos de Deus.

Que Deus os abençoe, em nome do Senhor Jesus!!!

MARCELO DE JESUS

  • Natália Pirulita

    bato palmas para esse homem. Uma bela demonstração de q fazer o bem é simples e amar o próximo tmb, basta querer.
    Adendo:
    “Quanto a bater, vocês já devem ter percebido, pelo que já escrevi, que essa não é mais minha praia.”
    Ainda há esperança no mundo, esperança de mudança :D

  • Marcelo Pinheiro

    Nossa, show de bola! E o cara escreve muuuuuito bem!!! Nota 10 por tudo! Se todos agissem desta forma, com certeza o Rio seria muito mais saldável!!!

  • Katia

    Depois de ler, parei um tempo nesta caixinha!!! Cheguei a conclusão que só posso desejar que esse exemplo seja seguido por muitos e que o Sr Marcelo continue fazendo o bem sem olhar a quem. Bom pra quem faz e pra quem recebe!!!!Parabéns!!

  • Rafael Inacio

    Só pra defender o caso. Uma vez, isso já tem tempo, no cine ideal, quase fui agredido dentro da boate (não vou comentar detalhes). Por me defender, fui convidado gentilmente a me retirar. Ao sair, o quase-agressor estava do lado de fora me esperando. Com receio, resolvi ficar próximo à saída ouvindo um monte de barbaridades do carinha. Um dos seguranças, percebeu que eu estava com receio e foi falar comigo. Perguntou se estava tudo bem, se eu queria que ele chamasse um táxi pra mim, que me levasse até a um ponto de ônibus ou até o metrô… Eu disse que ficaria ali esperando os meus amigos que ainda estavam dentro da boite. Ele, educadamente, disse que não teria problema, que eu poderia ficar ali o tempo necessário e que ali ninguém faria nada comigo… Ele até disse mais… Disse que era política da casa preservar a integridade de seus frequentadores dentro e fora da boate. Eu agradeci, mas disse que não seria necessário. Não sei o nome do segurança, mas ele foi de uma simpatia incrível. Tudo terminou bem!!!

    • http://aqueleshomens.wordpress.com Eduardo Roza

      Maravilha.

    • Marcelo de Jesus

      Esse caso faz uns 3 anos que aconteceu…lembro-me bem…um cara forte querendo bater em uma pessoa bem mais fraca…uma tremenda covardia…fiquei irritadíssimo com o fato…lembro de ter oferecido ajuda ao rapaz agredido…lembro-me, também de ter dito ao cara forte que se ele tentasse bater no rapaz, eu o levaria preso (dentre outras coisas mais pesadas que falei pra ele na época…rsss).
      Que bom que pude ajudar esse rapaz naquele dia..foi um prazer e um orgulho pra mim!!!

  • Rafael Inacio

    Curti!

  • http://ladycandongas.wordpress.com LadyCandongas

    PALMAS! MUITAS PALMAS!
    E amém!

  • Jonas

    Isso se chama humanidade e civilidade.
    Marcelo está mais do que parabéns. Não pelo que fez e si pelo que é e pela forma de pensar e ver o mundo.