Olá a todos.
Deixa eu me apresentar: sou o policial em questão aqui!!!
Gostaria de deixar bem claro, antes de falar sobre o lamentável episódio, que sou Policial Civil deste Estado (Inspetor de Polícia), lotado na Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), e que em minhas folgas presto apoio a um grande amigo meu, Orlando Capalluto, dono do Cine Ideal.
Sou cristão evangélico, da tão mal-falada, combatida e mal-interpretada Igreja Universal do Reino de Deus, e como qualquer ser humano desta terra, sou cheio de falhas e defeitos.
Bem, quero deixar, também, bem claro, que não sou, nem nunca fui contra os homossexuais, e procuro agir como determina as escrituras sagradas (amar ao próximo como a mim mesmo). Claro que, se me perguntar, afirmarei que sou contra o homossexualismo, mas JAMAIS contra o homossexual, uma vez que em minha Igreja prega-se que somos todos criaturas de Deus e que não devemos julgar ninguém, para que não sejamos julgados. Diante disso, posso afirmar, com convicção, que AMO a todos, independente de sua opção sexual, pois como disse, Deus não faz acepção de pessoas, e eu também não vou fazer.
Bom, sobre o que aconteceu, posso dizer que fiz exatamente o que minha consciência mandou, agindo dentro da lei, com rigor.
Desculpem-me se não fiz o que muitos gostariam (levar preso, bater, etc.), pois não foi esse o caso…a discriminação é reprovável em nossa sociedade, mas ainda não foi caracterizada como CRIME, dependendo, ainda, de aprovação no Congresso Nacional, daí eu não ter tido a reação de levá-los preso à delegacia. Quanto a bater, vocês já devem ter percebido, pelo que já escrevi, que essa não é mais minha praia.
Quanto ao que falei na hora da abordagem, creio que, por ter sido comentado aqui fora do contexto da situação, foi interpretado de forma errada…eu não falei, ou quis dizer, que existam lugares para gays e outros não…de forma alguma…na hora, o que disse para aqueles rapazes foi que como eles estavam incomodados com as demonstrações de carinho dos namorados, que fosse pra outro lugar, pois ali a festa era deles, pra eles. Assim como eu não gosto de rock, por exemplo, prefiro MPB, não posso ir na porta do Rock’n Rio e ficar criticando abertamente que está lá curtindo, não é verdade? E isso não é discriminação contra roqueiros, o fato de eu não querer ir a um show do gênero, mas se eu for, tenho que aceitar que as pessoas estarão vestidas de preto e pularão ao som da guitarra. Assim eles tem que aceitar namorados gays se beijando, uma vez que a festa é promovida para este público específico. Nunca quis dizer que gays tem que ter lugares próprios para se encontrarem, mas que aquele local, a boate, é um lugar onde os frequentadores são, em sua maioria, homossexuais, e devem ser respeitados por sua opção, não só ali, mas em qualquer lugar.
Para ilustrar o que digo, e demonstrar que falo a verdade, olhem em meu “facebook” e “orkut”, e verão a enorme quantidade de amigos gays que tenho…e não me envergonho disso…e se ainda assim persistir a dúvida, perguntem ao Orlando, ao Vitor Moreno ou a Eula (“hostess” da boate) se sou homofóbico, ou se critico a opção de alguém.
Quanto ao questionamento se fiz isso apenas por estar recebendo da boate para tal, quero deixar claro que passei 2 (dois) anos afastado da segurança da boate, por opção minha, e fui “convocado” pelo Orlando, para reassumir essa função de coordenador da segurança, o que voltei a fazer muito mais pela amizade que tenho por ele (homossexual assumido, diga-se de passagem) que por qualquer recompensa financeira.
E digo ainda que essa função que exerço na boate é para garantir a segurança DENTRO da boate, ou seja, o Orlando jamais me pediu pra dar uma de “segurança de rua”, até porque isso é trabalho da PM. Então o que fiz foi por vocação, por não me conformar com injustiça, por ter isso dentro de mim, isso de ajudar quem me pede, não porque estava sendo “pago” pra isso.
Sei que às vezes, por causa da minha função, tenho que ser enérgico nas minha decisões, mas faço isso pelo bem da maioria que frequenta aquela casa, para que tudo corra bem, e que os frequentadores se sintam seguros e à vontade lá, e para isso, às vezes tenho que ferir o interesse de alguns clientes, e por isso peço que me desculpem se alguma vez fui grosso ou insensível com alguém.
Espero ter podido explicar o fato, e quero me colocar à disposição de quem quer que seja, para que atidudes como a que aqueles rapazes tiveram não se repitam dentro ou fora da boate. Homofobia é reprovável tanto aos olhos do homem quanto aos de Deus.
Que Deus os abençoe, em nome do Senhor Jesus!!!
MARCELO DE JESUS
