Born this way, baby!

Chris Colfer likes boysKurt Hummel, de volta aos corredores da McKinley High, arranca sua camisa para revelar uma t-shirt onde se lê LIKES BOYS em enormes letras negras.

A tarefa proposta pelo professor Schuester era que os estudantes estampassem nas camisas algo que já foi motivo de sofrimento para eles, mas que hoje é assumido com orgulho, enquanto Glee nos apresenta sua versão de Born This Way, o tão falado novo hino gay da Lady Gaga.

Mas aí teve toda essa publicidade sobre a música, com o diretor da série, Ryan Murphy, criando esse episódio (o maior até hoje) especialmente por causa do hino, e quando o single é lançado, mesmo com todo o sucesso, ficam comparando com a Madonna, disputando com a Britney… quando a importância de Born This Way é outra. Muito maior.

Essa música não interessa. O que interessa é o conceito. Acho que a grande graça da Gaga está justamente no que as músicas, roupas e declarações dela significam, no quanto é poderoso ter uma popstar tentando (e por fim, ajudando a conseguir) derrubar a política “don’t ask, don’t tell” numa passeata política, e depois ela lançar um single desse. Já pararam pra pensar?

Por que ela poderia muito bem ter lançado alguma outra música. A própria Judas que lançou agora, se fosse só para conseguir ficar no topo das vendas ou ganhar mídia com polêmica. Ela também poderia lançar uma música como tantas outras, sobre bater o cabelo na pista, yeah,yeah, mão pro alto! Uhull!

No entanto, ela lançou Born This Way. Nos EUA, a questão do bullying homofóbico e das altas taxas de suicídio entre jovens gays nunca foi tão discutida, era o momento perfeito. Nesse contexto, a música é o que menos importa, mas a força da idéia é incrível! Ao cantar que “nascemos assim”, estamos batendo o pé no chão contra a homofobia. Ao estampar numa camisa que gostamos de homem, estamos afirmando nossa sexualidade. Glee pode não ser a sua onda, Lady Gaga também não. Mas o que eles estão fazendo deveria ser.

Pouco antes do lançamento da música, apareceu o blog bornthisway, com essa proposta incrível, quase óbvia, do “nasci assim”. A idéia é coletar fotos e relatos da infância de homossexuais, para mostrar a simplicidade do fato de sermos o que somos, e de muitas vezes isso ficar explícito, simplesmente por que é da nossa natureza.

A frase também foi adaptada para Born Like This, no site de mesmo nome, que é um projeto para integrar vídeo-depoimentos, notícias e artigos na filosofia de que “nascido assim” é mais que uma frase, é uma revolução no pensamento. Um espaço feito por jovens e para jovens, visando mudar a maneira como a sociedade vê a comunidade LGBTT e a maneira como os jovens LGBTT percebem a si mesmos.

Essa coisa não começou com a Gaga ou com Glee, mas é muito importante que tenhamos uma série de audiência com esse discurso ou uma cantora de sucesso comprando essa briga. Muita gente pode dizer que é sensacionalismo, que é reforçar estereótipos, que é tudo marketing… e pode ser mesmo, não há nada de errado em ganhar dinheiro com seu trabalho. Acontece que Born This Way, o conceito, vai MUITO além disso. E é MUITO poderoso, e isso é MUITO bom.